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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Perfil do Aluno 2024/2025

Esta publicação apresenta uma análise estatística abrangente sobre o sistema educativo português, reunindo dados relativos às crianças inscritas na educação pré-escolar e aos alunos matriculados nos ensinos básico, secundário, pós-secundário não superior e superior. Este documento permite caracterizar o percurso escolar dos alunos em diferentes níveis de ensino, fornecendo indicadores essenciais para compreender a evolução demográfica, académica e social da população estudantil em Portugal.

Entre os dados apurados, no total do ano letivo de 2024/2025, contabilizam-se 1 996 183 alunos matriculados e inscritos nos diferentes níveis de ensino, dos quais 1 572 414 (78,8%) frequentam o ensino público. O sexo feminino representa a maioria do total global com 1 002 253 alunas, correspondendo a 50,2%.

Já os alunos estrangeiros constituem 15,5% do total de alunos, destacando-se o ensino pós-secundário com a maior proporção de alunos estrangeiros (25,5%), seguido do ensino superior (17,6%) e do ensino básico (16,2%). Entre as nacionalidades estrangeiras mais representadas encontram-se o Brasil, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau, por esta ordem.
No conjunto que abrange a educação pré-escolar e os ensinos básico, secundário e pós-secundário, registam-se 1 547 317 crianças e alunos. Neste segmento, 51,0% são homens (789 303) e 49,0% são mulheres (758 014), estando 1 215 613 inscritos no ensino público e 331 704 no privado. Relativamente à frequência em idade normal, a taxa situa-se nos 89,6% no ensino básico geral e nos 78,1% nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário.

Por sua vez, o ensino superior conta com 448 866 alunos inscritos, dos quais 79% frequentam o público e 21% o privado. A maioria dos estudantes do ensino superior é do sexo feminino, representando 54,4% (244 239) do total de inscritos. Adicionalmente, registaram-se 106 541 diplomados no ensino superior, sendo 57,8% mulheres (61 556) e 42,2% homens (44 985).

domingo, 6 de setembro de 2026

Ensaio - Carlos Calixto-Almeida

Este ensaio crítico de Carlos Calixto-Almeida denuncia o "ecocídio" do sistema educativo português, argumentando que a digitalização forçada e a dependência de ecrãs destroem a saúde mental, o pensamento crítico e a tradição humanista. O autor utiliza o termo "delírio dígito-psicótico" para descrever uma patologia coletiva que aliena alunos e professores, transformando a escola num espaço de entretenimento superficial em vez de um santuário de reflexão profunda. Através de uma análise interdisciplinar, o texto condena a submissão das políticas públicas aos interesses das gigantes tecnológicas, alertando para a criação de uma geração de "homonóides" intelectualmente passivos. A obra invoca filósofos e neurocientistas contemporâneos para sustentar que a omnipresença do silício e dos algoritmos asfixia a autonomia pedagógica e a relação humana essencial entre mestre e discípulo. Em última análise, o autor apela ao resgate da "skholé" — o tempo de ócio criativo — e defende o regresso ao analógico como um ato de resistência contra a mecanização do espírito.


O «delírio dígito-psicótico», refere-se a um estado de alienação mental, dependência e perda de contacto com a realidade provocados pelo uso e abuso da tecnologia. Mais, o termo sugere que a digitalização não é apenas um erro pedagógico, mas uma patologia colectiva, um delirium que afecta a saúde psicológica e cognitiva dos alunos e professores através dos ecrãs.
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«Libertamos um monstro. Fomos muito ingénuos. Deixamos a vida digital das crianças para plataformas que nunca tiveram o bem-estar delas em mente. Precisamos sair do cativeiro digital para a comunidade». (Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca)
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Também os professores vão sucumbindo ao esgotamento-pressão mental e emocional, à sobrecarga burocrática, aos atentados à ética deontológica e à desvalorização profissional – sendo sintomático o caso recente do caos caótico da digitalização a 100% dos exames nacionais de 2026, com o pagamento digitalizado-remunerado em saldo desvaliado-depreciado de 1 €uro por item corrigido-classificado, sujeito a imposto e em pressão máxima – multiplicando- se os casos de burnout, vindo mais a caminho, sendo que não há «nevoeiro político» nem desculpa-culpa que esconda e lave tamanho desmando-dislate político, que nem mesmo o velhinho slogan do «Omo lava mais branco» consegue branquear.
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Como nota de fecho, dizer que o ensaio não visa a crítica ad hominem, mas tão-só o debate e contraditório do modelo pedagógico, das ideias e da política educativa em exercício, com uma crítica contundente e acutilante ao erro e à magnitude crassa – errada – da digitalização na ludo-escola/luso-escola portugaliana. No tempo determinado, categoricamente a História e a História da Educação o mostrarão, pelo que não podemos pactuar com a elegia do absurdo e do erro.

sábado, 5 de setembro de 2026

EU Kids Online Portugal 2026

Os dados do novo estudo EU Kids Online Portugal 2026, trazem conclusões importantes sobre as práticas, os riscos e as percepções das crianças e jovens (dos 9 aos 17 anos) no ambiente digital em Portugal. 

Este relatório da equipa nacional da rede EU Kids Online apresenta usos e experiências de crianças e jovens com IA generativa, em Portugal, e como esta se integra atualmente nas suas vidas digitais. Inclui resultados do inquérito nacional a 2.111 crianças e jovens de 9 a 17 anos, a que se juntam testemunhos de 15 adolescentes (13-17 anos) que fazem uso de ferramentas de IA generativa. Desse modo, cruza panoramas estatísticos abrangentes com vozes de uma pequena amostra

Em Portugal, 85% de crianças e jovens (9-17 anos) utilizam a IA generativa
  • A IA Generativa está já muito presente nas práticas digitais dos inquiridos portugueses, 10 pontos acima da média europeia. Os usos aumentam e diversificam-se com a idade.
  • Quase metade das crianças e jovens em Portugal usa a IA Generativa para tarefas escolares: resumir ou explicar um texto longo, ajudar a fazer trabalhos de várias disciplinas.
  • Um quarto dos inquiridos usa estas ferramentas para apoio emocional e pessoal, novamente 10 pontos acima da média europeia.
  • Diferenças de género e sobretudo socioeconómicas sugerem a permanência de uma divisão digital, em linha com resultados europeus. Os testemunhos revelam nuances marcadas por características sociais e individuais.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Resultados no mercado de trabalho dos diplomados do ensino superior português

A presente publicação reúne duas partes de um mesmo itinerário de investigação dedicado à análise dos resultados dos diplomados do ensino superior português no mercado de trabalho. Embora organizadas de forma autónoma, estas duas partes foram concebidas no interior de um propósito comum e devem ser entendidas como momentos complementares de uma mesma reflexão.

Dedicado à análise dos resultados dos diplomados do ensino superior português no mercado de trabalho, este estudo compara os resultados de duas coortes em diferentes momentos da transição para o mercado de trabalho - diplomados de 2016/17 inquiridos cinco anos após a conclusão do curso e diplomados de 2020/21 inquiridos um ano após a conclusão - à luz de cinco dimensões centrais da qualidade do emprego: os salários, a estabilidade contratual, a satisfação no emprego, o desalinhamento vertical e o desalinhamento horizontal.

sábado, 29 de agosto de 2026

Análise das classificações internas nos cursos científico-humanísticos do Secundário de 2017/2018 a 2024/2025


Entre os dados apurados:

•  𝗠𝗲́𝗱𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗮𝘀 𝗰𝗹𝗮𝘀𝘀𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝟮𝟬𝟮𝟰/𝟮𝟱: 15,0 valores no ensino público e 16,8 valores no ensino privado.

•  𝗔 𝗰𝗹𝗮𝘀𝘀𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗳𝗿𝗲𝗾𝘂𝗲𝗻𝘁𝗲 (moda): Fixou-se nos 17 valores no público e nos 18 valores no privado.

•  𝗖𝘂𝗿𝘀𝗼: Ciências e Tecnologias registou, de forma consistente, a média mais elevada.
•  𝗗𝗶𝘀𝗰𝗶𝗽𝗹𝗶𝗻𝗮𝘀: Educação Física regista as classificações internas médias mais elevadas nas disciplinas trienais (16,9 no público e 18,2 no privado).

•  𝗗𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻𝗰̧𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗿 𝘀𝗲𝘅𝗼: As mulheres registaram médias ligeiramente superiores às dos homens (+0,3 valores no público e +0,4 no privado).

•  𝗠𝗼𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝟮𝟬 𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿𝗲𝘀 (em disciplinas com 100 ou mais alunos): Verificou-se em 5 disciplinas do ensino público e em 14 disciplinas do privado.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Magazine (Jul’26) da Associação Portuguesa de Educação nas Prisões (APEnP)

A Associação Portuguesa de Educação nas Prisões (APEnP) tem o prazer de anunciar a publicação da sua mais recente Magazine (Jul’26), que inclui os seguintes artigos:

II Congresso Internacional da APEnP - apresentação das principais conclusões do encontro realizado em Matosinhos.
Conselho da Europa atualiza Recomendação sobre Educação nas Prisões - destaque para a Recomendação CM/Rec(2026)5, relativa à educação em contexto prisional.
APEnP em eventos de formação acreditada - participação no Seminário Internacional sobre Trabalho com Jovens e Justiça Juvenil e nas Jornadas Pedagógicas em Contexto Prisional.
Educação nas Prisões na Irlanda e ensino de reclusos estrangeiros - Rose Kerrigan apresenta a realidade irlandesa, enquanto Frans Lemmers destaca os benefícios da educação na língua materna.
Educação Penitenciária em Moçambique e Gestão do Conhecimento no Brasil - José Henriques Mutemba analisa os desafios da educação penitenciária em Moçambique e Mazukyevicz Nascimento aborda a gestão do conhecimento em contexto prisional no Brasil.
Competências digitais e políticas públicas - José António Moreira discute as competências digitais das pessoas reclusas e João Queirós relaciona os resultados do PIAAC com o desenvolvimento de políticas públicas.
Projetos internacionais - a APEnP integra o projeto Erasmus+ YW4Offenders e o Centro Interdisciplinar de Direitos Humanos (CIDH) participa no projeto EPO4YOUTH, duas iniciativas centradas na justiça juvenil e na melhoria das condições de detenção.
Atividades em Estabelecimentos Prisionais - uma seleção de iniciativas que dá visibilidade ao trabalho educativo desenvolvido em contexto prisional.
Informamos que a APEnP Magazine (Jul’26) se encontra também disponível em www.apenp.pt.
A Direção da APEnP deseja a todos Boas Férias!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Recursos Tecnológicos nas Escolas 2024/2025

Informação estatística oficial relativa a recursos tecnológicos existentes nas escolas, em Portugal Continental, no ano letivo de 2024/2025.


A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) disponibilizou hoje a publicação "Recursos Tecnológicos das Escolas 2024/2025". Os dados revelam que o número médio de alunos por computador nos estabelecimentos de ensino se fixou em 1,2, sendo que no ensino público este rácio é de 1 aluno por equipamento e no ensino privado de 2,6. Relativamente aos computadores com ligação à Internet, o número médio de alunos por computador com ligação à Internet é igualmente de 1,2, com o setor público a apresentar um rácio de 1,1 e o privado de 2,8.

O parque informático total das escolas do Continente contabiliza 1 062 068 computadores, dos quais 977 465 nos estabelecimentos de ensino público. Os computadores portáteis são a tipologia predominante, representando 78% do total (831 629 unidades), seguidos pelos computadores de secretária com 18% e pelos tablets ou iPads com 4%. Em matéria de antiguidade, 76% dos computadores têm 3 anos ou menos, valor que sobe para os 93% no caso dos equipamentos portáteis.

Para além dos computadores, as escolas estão equipadas com 71 271 projetores, 15 169 quadros interativos e 6 748 ecrãs interativos.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Roteiro curricular para promover a educação para a cidadania digital entre crianças e jovens

O DCE Planner - Uma estrutura curricular para educação em cidadania digital é uma ferramenta essencial para empoderar os jovens cidadãos na era digital. O objetivo é criar uma visão consensual das competências que os cidadãos precisam para um engajamento construtivo, responsável e significativo com as tecnologias digitais.

O DCE Planner é um roteiro curricular desenvolvido pelo Conselho da Europa para promover a educação para a cidadania digital entre crianças e jovens. Este recurso flexível organiza 320 objetivos de aprendizagem em nove áreas temáticas, abrangendo desde a ética e empatia até à literacia mediática e segurança online. A estrutura está adaptada a quatro faixas etárias, permitindo que educadores e decisores políticos ajustem o ensino às competências de cada fase do crescimento. O foco central reside em capacitar os alunos para navegarem no mundo virtual com responsabilidade, consciência crítica e respeito pelos direitos humanos. 

Através desta ferramenta, as escolas podem integrar temas cruciais como o bem-estar digital, a inclusão e a participação ativa na sociedade democrática contemporânea.


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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Desafios decorrentes da transformação digital e da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho

Foi lançada, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a publicação "The World of Public Employment Services 2026", que analisa os desafios decorrentes da transformação digital e da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho.

Esta publicação oferece uma visão comparativa dos serviços públicos de emprego em todo o mundo, com base em uma pesquisa global. Complementando a primeira edição, a edição de 2026 apresenta perspectivas novas e atualizadas sobre o desenvolvimento, os desafios e as oportunidades enfrentados pelos serviços públicos de emprego em todo o mundo. Esta versão atualiza e amplia a disponibilidade de dados estruturados e comparáveis, bem como informações sobre políticas públicas relativas à organização, estrutura e práticas desses serviços. 

A publicação também apresenta dados e analisa variações institucionais e políticas, a maturidade digital dos serviços e as formas como os serviços públicos de emprego respondem a choques e fortalecem a resiliência do mercado de trabalho. Além disso, apresenta dados e informações sobre como os serviços públicos de emprego podem apoiar a transição para o mercado de trabalho de diferentes grupos populacionais, incluindo migrantes, e considera o papel das parcerias entre os serviços públicos de emprego e a economia social para apoiar as pessoas que enfrentam maiores dificuldades para encontrar trabalho. Por fim, com base em todas as conclusões, a publicação descreve possíveis desenvolvimentos em componentes-chave das políticas do mercado de trabalho e fornece perfis individuais de 78 serviços públicos de emprego de 74 países. (EduProfs)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Estatísticas da Educação 2024/2025

A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) publicou hoje as “Estatísticas da Educação 2024/2025”, um levantamento abrangente sobre o sistema educativo nacional que engloba os processos formais de educação e formação, desde a educação pré-escolar ao ensino superior, incluindo: crianças inscritas e alunos matriculados, resultados escolares e diplomados, recursos humanos (pessoal docente e não docente) e estabelecimentos de ensino.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Diversidades, língua(s) e inclusão: desafios a enfrentar nos próximos anos

Esta publicação do Conselho Nacional de Educação analisa o impacto do crescimento acentuado de alunos migrantes no sistema de ensino português e os desafios para a sua inclusão. 

Os textos destacam que, embora a diversidade cultural tenha aumentado significativamente em todo o território, persistem desigualdades socioeconómicas e educativas que afetam o sucesso destes estudantes. 

Um foco central é a disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM), identificada como uma ferramenta essencial, mas ainda com cobertura insuficiente e falta de docentes especializados. O documento propõe uma reflexão sobre a necessidade de políticas públicas mais flexíveis, que incluam mediação cultural e novas estratégias pedagógicas para acolher comunidades de origens variadas. 

Através de dados estatísticos e relatos de práticas escolares, as fontes defendem que o domínio da língua e a valorização da diversidade são pilares fundamentais para a coesão social. Desta forma, o trabalho procura fundamentar recomendações futuras para garantir a igualdade de oportunidades a todas as crianças, independentemente da sua nacionalidade.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Brochura de balanço do projeto Escolas à Descoberta de Abril (EDA50)


O documento, faz o enquadramento do projeto e sintetiza os seus aspetos mais marcantes tais como a sua dimensão nacional, envolvendo um total de 156 agrupamentos do país, incluindo 10 escolas das Regiões Autónomas e a Escola Portuguesa de Díli, a sua dimensão pedagógica, criando oportunidades para o trabalho colaborativo, a inovação pedagógica e o desenvolvimento de aprendizagens e competências; e a conceção e o desenvolvimento de um acervo dos produtos desenvolvidos pelos jovens e pelos seus professores.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Balanço Anual da Educação 2026

O relatório Balanço Anual da Educação 2026, produzido pelo think tank EDULOG da Fundação Belmiro de Azevedo, analisa o estado atual e a evolução do sistema de ensino em Portugal. O documento destaca que o país viveu uma transformação estrutural rápida, atingindo níveis de qualificação nos jovens que convergem com a média da União Europeia. 

A investigação divide-se em três eixos principais: o diagnóstico transversal dos trajetos educativos, o impacto do aumento de alunos estrangeiros no ensino público e as causas da recente quebra na procura do ensino superior. A publicação sublinha que, embora o acesso seja agora universal, persistem desigualdades significativas nos percursos internos, influenciadas por fatores socioeconómicos e demográficos. Além disso, explora como o mercado de trabalho e a inteligência artificial estão a redefinir o valor económico dos diplomas. A IA está a redefinir as fronteiras de proteção no emprego, valorizando quem possui competências de ordem superior e criando pressão sobre quem desempenha tarefas de processamento de informação. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Carta Encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV



5. Cabe-nos agora enfrentar, com lucidez e responsabilidade, os desafios do nosso tempo. É necessário adotar instrumentos normativos adequados, capazes de salvaguardar a justiça e de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico. Mas a questão não se esgota na regulamentação. Como alertou o Papa Francisco, devemos perguntar-nos com realismo quem detém hoje este poder e para que fins o orienta: «Não podemos, porém, ignorar que a energia nuclear, a biotecnologia, a informática, o conhecimento do nosso próprio DNA e outras potencialidades que adquirimos […] dão, àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder económico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do género humano e do mundo inteiro».  Outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação. Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos. O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente “privada” e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum.

6. Assim, é preciso iniciar um discernimento partilhado, capaz de penetrar nas raízes espirituais e culturais das transformações em curso. Se nos limitarmos às contingências, corremos o risco de deixar que uma série de emergências decida, em nosso lugar, a direção do caminho. Estamos a viver uma rápida fase de transição, uma “mudança de época” em que, enquanto alguns disputam o futuro das novas tecnologias e outros se dedicam à reflexão sobre elas, a maioria das pessoas permanece a aguardar, observa de longe, simplesmente esperando que tudo corra bem. Exatamente por isso, impõem-se à nossa consciência questões decisivas, que não podem já ser evitadas: Para onde vamos? Para que meta desejamos orientar-nos? Que direção escolher enquanto comunidade humana e enquanto povos?

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Descentralização de competências de educação para as autarquias em Portugal - Relatório do CNE

Este relatório técnico, publicado pelo Conselho Nacional de Educação, examina a descentralização de competências educativas para os municípios em Portugal. O documento descreve a evolução legislativa desde 1976 até à obrigatoriedade atual, analisando como a transferência de responsabilidades afeta a gestão de recursos e a autonomia das escolas. Destacam-se áreas críticas como o financiamento público, o papel dos Conselhos Municipais de Educação e a nova configuração da administração central. A análise sublinha a importância da governação multinível e da territorialização das políticas públicas para aproximar as decisões dos cidadãos. Por fim, o texto sistematiza contributos teóricos e práticos para fundamentar recomendações sobre a gestão local do sistema educativo.

A descentralização de competências para as autarquias locais influencia a autonomia e a gestão das escolas de forma complexa, redefinindo as relações de poder e as áreas de jurisdição entre o Estado central, os municípios e os estabelecimentos de ensino. Embora sejam processos distintos na sua natureza, a descentralização territorial e a autonomia escolar produzem efeitos sistémicos que alteram o funcionamento das instituições educativas

Relatório Técnico - Descentralização de competências de educação para as autarquias em Portugal

sábado, 16 de maio de 2026

O Regulamento dos Serviços Digitais (RSD) explica

Este opúsculo, dirigido às famílias, explica de forma simples as orientações da Comissão Europeia sobre a proteção dos menores, em conformidade com a Lei dos Serviços Digitais. Mostra como as plataformas em linha protegidas para as crianças e os jovens, dando prioridade aos seus direitos, integrando a privacidade e a segurança no design da plataforma, verificando a idade, tornando as definições privadas, projetando interfaces seguras, moderando conteúdos relacionados, facilitando a denúncia e apoiando os pais — para que os mais jovens possam desfrutar da Internet com confiança e segurança.

O que as plataformas em linha devem fazer para manter as crianças e os jovens seguros em linha

sábado, 2 de maio de 2026

Diversidades, Língua(s) e Inclusão: desafios a enfrentar nos próximos anos

Já está acessível a publicação intitulada Diversidades, Língua(s) e Inclusão: desafios a enfrentar nos próximos anos, que reúne contributos de participantes no seminário subordinado ao mesmo tema, organizado pelo Conselho Nacional de Educação.


Esta publicação do Conselho Nacional de Educação analisa o aumento sem precedentes da diversidade cultural e linguística nas escolas portuguesas, impulsionado por recentes fluxos migratórios globais. Os textos destacam que os alunos estrangeiros representam agora cerca de 17% dos alunos, apresentando uma multiplicidade de nacionalidades que desafia as estruturas pedagógicas tradicionais. Especialistas discutem a eficácia da disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM) como ferramenta essencial para combater desigualdades e promover o sucesso escolar e a integração social. O relatório sublinha a correlação entre a fragilidade socioeconómica e as dificuldades de aprendizagem, defendendo políticas públicas mais flexíveis e o reforço da formação de professores. Adicionalmente, são partilhadas experiências práticas de agrupamentos escolares que utilizam mediação cultural para acolher novos estudantes. Em suma, as fontes apelam a uma resposta sistémica que transforme a diversidade num fator de coesão social e enriquecimento educativo.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Estudo do CNE sobre Inteligência Artificial em Contexto Educativo

O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou o estudo "Inteligência Artificial em Contexto Educativo"

O presente estudo sumariza as conclusões resultantes das atividades do Conselho Nacional de Educação (CNE), realizadas durante o ano de 2025 e início de 2026, inerentes à integração das ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa nos processos de aprendizagem, bem como a investigação desenvolvida em torno dos tópicos selecionados para constituírem o eixo da futura recomendação do CNE sobre a utilização da IA em contexto educativo. Referimo-nos à revisão da literatura e ao estudo comparado, entretanto publicados na página da internet deste organismo e acessíveis em: https://www.cnedu.pt/pt/publicacoes/estudos


Este estudo do Conselho Nacional de Educação analisa a integração estratégica da inteligência artificial no sistema educativo português. A investigação foca-se na criação de uma infraestrutura digital robusta que priorize a soberania de dados, o código aberto e a equidade no acesso tecnológico. O documento estabelece diretrizes fundamentais para a literacia em IA, estruturando-a através do pensamento computacional, ética e análise crítica de dados desde o ensino básico. Adicionalmente, sublinha a urgência de uma formação docente especializada, sugerindo a implementação de microcredenciais e novas metodologias de avaliação centradas no processo de aprendizagem. O objetivo final é modernizar a escola pública, capacitando alunos e professores para um uso consciente, responsável e pedagógico das ferramentas generativas.

Para colmatar a lacuna na formação dos jovens e promover uma compreensão conceptual profunda, a literacia em inteligência artificial (IA) nas escolas deve estruturar-se em quatro eixos fundamentais:

Literacia digital: Foca-se na capacidade de pesquisar, selecionar, interagir, usar e combinar informação, promovendo também a colaboração com ferramentas de IA.

Pensamento computacional: Visa o desenvolvimento do raciocínio sistemático e da resolução de problemas, permitindo que os estudantes ajam de forma autónoma e fundamentada perante a IA, analisando criticamente os seus benefícios e limitações técnicas.

Literacia crítica de dados: Envolve a compreensão da produção e utilização de dados pessoais e do impacto dos enviesamentos algorítmicos, capacitando o aluno para questionar como a IA influencia ações e decisões.

Ética em IA: Centra-se no reconhecimento dos desafios éticos do uso da tecnologia, orientando para uma tomada de decisão socialmente responsável e para a aplicação da IA em prol do bem comum.

Esta estruturação é considerada fundamental logo desde a educação básica, tornando esta literacia tão crucial para os estudantes do século XXI quanto a leitura ou a numeracia. 

sábado, 11 de abril de 2026

Inteligência Artificial na Educação Básica

Este documento orientador do Ministério da Educação do Brasil estabelece diretrizes para a integração da Inteligência Artificial (IA) no ensino básico. O texto diferencia o ensino sobre IA, focado no funcionamento técnico e ético, do ensino com IA, que utiliza a tecnologia como ferramenta pedagógica. Estruturado em cinco capítulos, o guia aborda marcos regulatórios, adaptações curriculares e a necessária proteção de dados de menores. A publicação enfatiza a centralidade humana, alertando para riscos de dependência cognitiva e desigualdades tecnológicas. O objetivo final é promover a cidadania digital através de práticas responsáveis e da formação contínua de professores.

Documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas

De acordo com o documento orientador do Ministério da Educação, foram estabelecidas 12 aprendizagens fundamentais para a era da IA, que visam criar uma intencionalidade pedagógica no ensino sobre esta tecnologia.

As 12 aprendizagens são:

1 - Compreender a linguagem computacional e a IA: Envolve entender o processamento de linguagens naturais, algoritmos (simples e complexos) e distinguir diferentes modelos de linguagem e tipos de IA. 

2 - Desenvolver competências lógicas: Foca no aprendizado do funcionamento de sistemas computacionais e de IA, utilizando sistemas simbólicos e probabilísticos para identificar padrões e classificar informações.

3 - Relacionar soluções técnicas a problemas humanos e éticos: Aprender a elaborar projetos colaborativos entre humanos e sistemas técnicos que sejam relevantes para a comunidade.

4 - Compreender o ciclo de vida da IA: Analisar a dimensão do trabalho e o impacto nos recursos naturais (como minerais estratégicos, água e energia) necessários para a produção e sustentação da infraestrutura de IA.

5 - Identificar a utilização e geração de dados: Compreender como a IA utiliza a coleta de dados e o treinamento, atentando para riscos à privacidade, bolhas informacionais e desinformação.

6 - Reconhecer limites e vieses: Identificar como preconceitos humanos (raciais, de gênero, cognitivos) são reproduzidos na interação com sistemas de IA.

7 - Aprimorar a aprendizagem autorregulada: Utilizar a IA para apoiar a visualização de relações entre conhecimentos, monitorar a própria aprendizagem e desenvolver o pensamento conceitual.

8 - Desenvolver o pensamento criativo: Estimular a criatividade atentando para os riscos da "descarga cognitiva" (substituição do esforço mental pela máquina).

9 - Identificar relações de poder e desigualdades: Reconhecer como o ecossistema de produção de IA pode gerar ou aprofundar desigualdades sociais e o papel dos entes públicos e privados na mitigação de riscos.

10 - Compreender direitos e deveres digitais: Focar nos direitos de crianças e adolescentes, promovendo o acesso seguro e combatendo violências no ambiente digital.

11 - Agir com responsabilidade, segurança e ética: Promover o bem-estar próprio e coletivo ao interagir com IA em aplicativos, jogos e redes sociais.

12 - Promover competências socioemocionais para a autonomia: Construir estratégias de sociabilidade e uso saudável da tecnologia, permitindo o desenvolvimento de repertório em experiências mediadas ou não pelo digital.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Diálogos sobre Avaliação - Reflexão sobre o lugar e o papel da avaliação no campo educacional


 Encontrografia Editora, do Brasil, lançou a coleção "Diálogos sobre Avaliação", uma obra abrangente, em três volumes, organizada por Wagner dos Santos e Denilson Junio Marques Soares, com contributos essenciais para a reflexão no campo educacional sobre o lugar e o papel da avaliação.
O primeiro volume foca nas políticas e avaliações externas, discutindo sistemas, indicadores e accountability; o segundo volume dedica-se à avaliação no âmbito da formação inicial e contínua de professores; e o terceiro volume concentra-se nas experiências, instrumentos e metodologias das práticas avaliativas. No conjunto, a coleção defende que a avaliação ultrapassa a dimensão técnica, constituindo-se como um dispositivo político e ético capaz de moldar trajetórias formativas e fortalecer a democratização do ensino.

Nesta perspetiva, o prefácio ao terceiro volume, elaborado por Domingos Fernandes e intitulado "Práticas Avaliativas", estabelece uma reflexão crucial sobre a interdependência entre avaliação, pedagogia e currículo. Domingos Fernandes apresenta a avaliação como uma "transdisciplina" que deve formular juízos credíveis e úteis para transformar as políticas públicas e melhorar a qualidade de vida nas instituições. O autor argumenta que as práticas avaliativas são indissociáveis das opções epistemológicas e metodológicas adotadas, defendendo que a avaliação formativa deve ser um processo eminentemente pedagógico e contínuo, permitindo que os estudantes tomem consciência de seus esforços e estratégias de aprendizagem.

Destaca ainda que a avaliação não deve ser encarada como uma ciência exata ou objetiva, mas como um processo que exige fundamentação teórica para promover a inclusão e a justiça social. No prefácio, critica a tendência das políticas públicas de priorizar investimentos em métricas externas e provas destinadas a produzir números, relegando muitas vezes a avaliação pedagógica, de responsabilidade direta de escolas e dos professores para um plano secundário. Em linha com a orientação da coleção, o texto reforça a necessidade de práticas mais humanas e dialógicas, que vejam no erro uma oportunidade de crescimento e transformem a avaliação em um instrumento de emancipação e liberdade para os sujeitos envolvidos.