Quando falta um professor e os alunos são distribuídos por outras turmas, isso tem um preço alto, embora muita gente não saiba.
Faltam professores. A profissão envelheceu. Há aposentações, baixas, ausência de substitutos e um sistema que funciona perto do limite.
Já pensou no círculo vicioso que está aqui?
Distribuir alunos é uma solução pedagógica? Ou um remendo?
Aumenta o ruído, quebra rotinas, desorganiza a atenção, retira tempo útil e sobrecarrega o professor que recebe mais crianças sem ganhar mais condições para as acompanhar.
No 1.º ciclo isto é ainda pior, porque as crianças precisam de mais estabilidade, previsibilidade e vínculo. Não precisam de andar a saltar de sala em sala como se fossem volumes em trânsito.
Do ponto de vista psicológico, isto desgasta brutalmente os professores!
Isto aumenta a exigência e diminui o controlo. E esta combinação é tóxica.
Têm de ensinar, regular comportamentos, acalmar crianças, proteger o ambiente da turma e manter a aparência de normalidade, tudo ao mesmo tempo, em condições cada vez mais degradadas.
E há uma hipocrisia nisto tudo. A distribuição de alunos aparece muitas vezes como pequena medida de emergência, quase uma coisa banal. Não é banal. É o sinal de um sistema a falhar e a pedir aos mesmos de sempre que aguentem o peso.
Os diretores também sabem o peso que isto cria. Há estratégias mas muitos vivem angustiados.
É urgente intervir porque uma escola não pode viver de improviso. Quando o remendo passa a rotina, o problema deixou de ser exceção.
Distribuir alunos pode salvar uma manhã, mas está a destruir, devagar, a qualidade da escola e a saúde mental de quem lá trabalha. E um país que normaliza isto já começou a desistir.
URGENTE
* Pagar melhor onde ninguém quer ir.* Criar incentivos reais à fixação.* Substituição rápida, não concursos que chegam quando o incêndio já passou.* Reduzir burocracia (Professor não é escriturário).* Tratar a falta de docentes como emergência nacional, não como ruído estatístico.* Liderar com coragem e formação de excelência em estratégias de prevenção do stress e promoção do bem-estar emocional, não com circulares.* Apontar ao sistema, não ao elo mais cansado da cadeia.

Sem comentários:
Enviar um comentário